Words are spaces between us

A alma está para lá das palavras, encontra-se escondida nas vírgulas que separam os sentimentos latentes nas frases ditas inconscientemente.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Não, nunca me lembraste



O vento vai soprando, e com os seus dedos desenhados pela atmosfera que nos contempla, vai tocando no teclado do piano perdido no velho mar, longínquo e interminável, a acústica da minha vida, a de hoje e apenas deste dia. O amanhã para mim pertence ao grupo dos "comos" e o meu passado ao grupo dos "porquês", apenas o hoje me garante a declarativa, sem vírgulas, perguntas ou interrupções. Nada tem um ponto acente, nada está terminado, pelo menos até que este meu dia acabe e desapareça, se apague de meus olhos e fuja das minhas mãos quentes que depressa arrefecem e se tornam solitárias, vazias de conteúdo e esperança.
Ali estás tu, repousando no banco do destino, tão antigo, já sem cor. Dali não saíste, sempre te avistei de longe, sem rosto, sem expressão. Nem com um sorriso me contemplaste, nem com um olhar me cativaste, apenas a tua figura, negra, vazia, ausente, me acompanhou, como um fantasma, um espírito de sentimentos confusos e indecifráveis. Pertences ao passado e ao futuro, nunca ao hoje, nunca a este dia em que me encontro agora, apenas estás longe, para lá da porta que separa os meus mundos, a minha personalidade, outrora forte como o sol que me aquece, outrora frágil como o espelho que parte sempre que o olho penetrantemente.
O meu nome encontra-se cravado na rocha que um dia pisamos, que olhamos, memorizamos. Onde as promessas de amor foram guardadas, como tesouros perdidos pelos mapas queimados e transformados em cinzas de memórias. O teu já nem sei se lá está, se se apagou ou se tu o mesmo o fizeste com a tua própria mão que já não reconheço, que já nem sinto o toque ou impressão. Ou talvez eu mesma o tenha apagado inconscientemente, com as pisadas de meus pés, de tanto caminhar por entre os cantos dos nossos mundos, da recordação que hoje já se encontra para lá da porta. Um dia quis que a barreira se quebrasse, se partisse em mil pedaços, se torna-se no meu chão. Hoje sei que nunca tal poderia ter acontecido, porque hoje é a minha declaração, a minha certeza, a Razão.
E tu não me conheces, nunca conheceste realmente. Não o eu de hoje, não aquele que me tornei depois da metamorfose de emoções, sentimentos recalcados, lembrados, apagados erradamente, desenterrados inconscientemente, rasurados propositadamente.


E mais uma vez a música toca, repetindo a melodia à qual já me habituei. E o hoje vai acabar, mas amanhã a certeza continuará, ou talvez não!

5 comentários:

  1. Escreves mesmo bem :)
    Gostei bastante *

    (e, já agora, obrigada pelo comentário)

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  2. Se fosse assim tão fácil ... Mas tentar é u começo :p

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  3. desculpa amiguita mas perdi me outra vez na tua bela escrita e nao perdi tempo para te deixar um comentario

    amanha nunca ninguem o sabe...
    ma senquanto ninguem o sabe há que aproveitar e saborear a agua e o ar que nos alimenta durante o HOJE,,,certo?
    amanha pode nao haver

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espírito crítico